sexta-feira, 16 de junho de 2017

A BUSCA DE VISÃO & 'UM APRENDIZADO MÁGICO' - ((Steven Foster).


O objetivo da vida é retornar ao Amor, de momento a momento... Para atender a esse propósito, a pessoa precisa reconhecer que é completamente responsável por criar a sua vida do jeito como ela é. Ela precisa compreender que são os seus pensamentos que criam a sua vida da maneira como ela é de momento a momento. Os problemas não são as pessoas, os lugares e as situações, mas sim os pensamentos a respeito deles. A pessoa precisa aceitar a ideia de que não existe o “lá fora”. — (Dr. Ihaleaka Hew Len. Criador do Ho'oponopono).
 
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(*) "Antes de reencarnar na Terra, você fez um plano do que pretendia alcançar... Fez contratos com todas as pessoas de sua vida: pais, irmãos, irmãs, parentes e amigos. Eles o ajudam a passar por tudo o que planejou realizar nesta vida"... (Dolores Cannon. Hipnoterapeuta). 

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lembre-se de que o Acaso não existe... Boa sorte! 
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Significado dos Sonhos

Escolha a música que aquiete a mente e "fale" ao seu coração, e a ouça durante a leitura dos textos:


‘Relaxing Harp Music’. Meditation. (Mix). 

O Divino Poder da Música - (Max Heindel)
“Ao olharmos ao nosso redor, no universo material, vemos miríades de formas. Todas têm certa configuração e emitem um som definido; na verdade todas o fazem, pois há som mesmo na chamada natureza inanimada. O vento na copa das árvores, o murmúrio do regato, o marulho do oceano, são contribuições definidas para a harmonia da Natureza...

“Somente quando nos colocamos atrás dos bastidores do visível e compreendemos que o homem é um ser composto de Espírito, Alma e corpo, é que entendemos por que somos tão diversamente afetados pelas três artes”... (Max Heindel).  ['Mistérios das Grandes Óperas'. O 'Parsifal' de Wagner].

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A Busca de Visão & 'Um Aprendizado Mágico' - (Steven Foster).
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“O que pode ser conhecido? O desconhecido. Meu verdadeiro Eu corre para um Morro. Mais! Ó mais visível... Agora adoro minha vida/ Com o Pássaro, a Permanente Folha, / Com o Peixe, o indagador Caracol, /E o Olho alterando tudo; E danço com William Blake, Por amor ao Amor”... ('Once More, the Round'. Theodore Roethke).

“Há muitos anos, assombrado pela culpa, perseguido por imagens de liberdade, acreditando persistente e incessantemente que eu tinha de adquirir experiências a qualquer risco, deixei minha profissão de professor e saí pelo mundo”... 

Embora vivesse com grande apetite e parecesse, até para mim mesmo, ter uma disposição suicida para a autodestruição, ou a destruição de qualquer um que me amasse, senti-me arrastado para a terra onde meu pai passou a infância e o começo da idade adulta: as várias extensões solitárias chamadas Nevada, as remotas e desoladas regiões do deserto de Mojave.
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“Fui para o deserto sozinho, sem saber por que, à procura de algo que tinha perdido, ou que poderia encontrar; alguma coisa, alguém, alguma revelação que esperasse por mim na curva do leito seco do rio; um encontro cara a cara com o que eu mais temia e desejava”...

Não compreendi, na época, que eu buscava a morte (*). Isto é, eu não estava procurando morrer, mas colher o fruto da morte, reentrar no ventre das coisas, a matriz do desconhecido, e nascer de novo, desligado das velhas distinções e limitações - provocar pela força de vontade, a autotransformação.

Mas a autotransformação é um processo gradual, doloroso, conquistado a expensas da alegria e do sofrimento, ou assim foi para mim. Não obstante, certos fatos característicos da força, ou do crescimento, destacam-se no pano de fundo da minha vida.

Esses acontecimentos marcam o momento em que meu coração inquieto entrou em contato com o coração intemporal e transformador do Universo. O tempo que passei no deserto foi cheio desses acontecimentos...

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 “Terá sido porque, segundo a minha mãe, fui concebido na montanha da Sombra, à vista das montanhas do Vale da Morte, que procurei o deserto? Terá sido porque minha infância havia sido mergulhada nas histórias do Velho Testamento, nos contos dos profetas do deserto, Moisés, Isaías, Elias?

Terá sido porque eu, mesmo quando muito pequeno,  sentia uma profunda afinidade com o espírito do deserto?  Alguma coisa me atraía. Reagi com uma fé instintiva num sentimento que me penetrava até o âmago, um estremecimento, um calafrio, um sentimento apaixonado...

Enchi um velho ônibus VW com algumas coisas essenciais, disse adeus os meus filhos, meus amigos, e minha vida, e fui-me embora.
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“Dirigi-me para o leste, no rumo do Reno, portão de saída para os distantes desertos da Grande Bacia. Acabei voltando, para recolher os fios de minha vida 'civilizada', uma vida que mudara porque eu mudara.

Mas quando entrei o meu carro e saí pela estrada, não pensava em voltar. Tinha chegado a um ponto em que o desespero obscurecia as responsabilidades. Eu não podia continuar vivendo como tinha vivido.

Alguma coisa mais estava à espera. Sem dúvida, se eu a buscasse ativamente, a resposta seria revelada ali, no descampado, sem pegadas. Continuei com profunda animação. Não me julgara capaz de tal emoção...
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 “O que me aconteceu no deserto? Não sei dizer exatamente. Meus lábios estão selados pela inadequação das palavras. Estou convencido de que a Grande Mãe acabou por me levar às alturas e às profundezas do ser que estão próximas do 'visionário'”..

Durante grande parte do tempo, porém, minha lembrança só produz fatos, acontecimentos e lugares. Eu não estava preparado para compreender tudo o que veio a ocorrer. Durante grande parte do tempo sentia-me aborrecido - não havia nada em particular para fazer, ou tinha de satisfazer às necessidades básicas de minha sobrevivência.

Por vezes era preciso enfrentar as consequências de minha ignorância: não saber como fazer uma fogueira com lenha molhada, ou não saber como me proteger adequadamente do frio ou do calor sufocante, ou não saber como realizar consertos simples, mas essenciais, no motor do ônibus...

Embora durante anos eu tivesse falado da 'natureza' aos alunos, situado na minha torre de marfim egoísta, sabia muito pouco do processo de viver realmente nela. Sabia muito pouco dos ritmos e elementos de nossa Grande Mãe, a Terra...
Na noite em que finalmente me despedi de Elko e voltei o rosto para as montanhas Rubi, compreendi como era inadequada a minha preparação. Tremi de medo e pensei em voltar. E se eu morresse lá fora? Muito tempo poderia transcorrer antes que alguém me achasse'”...

E se me perdesse? Não teria para onde ir, ninguém para quem voltar, ninguém para me ajudar a encontrar a mim mesmo. Tive medo de enlouquecer. Receava as enchentes repentinas  (embora nunca tivesse visto uma), as cascavéis,as aranhas, a escuridão, o frio, as estradas ruins, os problemas com o carro, morrer de sede, e a doença física. E acima de tudo, tinha medo da solidão.

Todos os meus heroicos mitos sobre mim mesmo desabaram como as muralhas de Jericó quando ouvi pela primeira vez, realmente ouvi, o terrível som da trombeta da solidão do deserto - o som do silêncio. 

Contraposto àquela ausência de som, eu era apenas um zero. Meu ego murchou como páginas de um livro lançadas ao fogo...
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Como sabia pouco sobre a sobrevivência, ou sobre mim mesmo, ou sobre a morte! Tendo rejeitado outros ensinamentos, fizera-me involuntariamente aprendiz do mais exigente dos mestres. Mas não compreendia a sua linguagem”...

Sua voz era o silêncio que rugia em meus ouvidos. Ele ensinava, não com palavras, mas através de meu corpo, com luz e trevas, chuva e vento neve e fogo. Furava meus ouvidos com o canto dos pássaros.

E as palavras e sons que me fazia balbuciar não eram as palavras do mundo que eu conhecia. Algumas delas eram gritos que me vinham do ventre e das vísceras, estranhos aos meus ouvidos, mais parecidos os de um animal: uivos, gemidos, grunhidos, rosnados.
   
E os atos que ele me ensinou eram atos animais, quase esquecidos: comer, dormir, eliminar, arrastar-me, enfunar-me, esconder-me, ouvir. O aprendizado desses gestos marcou o começo da mudança na minha vida...
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 “Será a vulnerabilidade da solidão que nos leva a amar e ser amados? As estrelas implacáveis e os cornos da lua percorrem o céu noturno, deixando em sua esteira a dor e o vazio de outra manhã sem amor'”..

Aprendemos assim a viver com a solidão, a amaldiçoá-la e aceitá-las, e enchê-la dos rituais da sobrevivência. Mas a solidão acabaria por quebrar-me numa insistência rígida: meu corpo ansiava, assim como as folhas secas anseiam pelo vento, pela presença de outrem.

Eu iria a Winnemucca, ou Austin, ou Goldfield, ou Goodsprings ou Lone Pine ou Furnace Creek, à procura de alguém com quem falar...

De certa maneira, a solidão é uma preparação para a morte. Certa vez eu ia de carro por uma longa e desolada estrada entre Wells e Ely, quando alcancei uma jovem que caminhava ao lado da estrada, sem mochila ou água, a 4o quilômetros ao norte de Currie. Imaginando que ela estivesse com problemas, ou precisasse de alguma carona, parei e perguntei-lhe se podia ajudá-la.

Ela voltou para mim o rosto ressecado pelo sol. Viu um homem com aparência selvagem, sujo, barbudo, com horizontes brilhando em seus olhos. Eu vi uma mulher cansada, com um anseio desperdiçado em seu olhar.

Não, obrigada, disse ela... Curioso, perguntei-lhe o que fazia ali, no meio de lugar nenhum.      

Lugar nenhum é algum lugar”, respondeu secamente e continuou a andar...
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 Continuei a viagem. Sua forma cansada foi desaparecendo no espelho retrovisor, até não ser mais do que um ponto, que também desapareceu”...

Penso nela, às vezes. Fez-me pensar em mim mesmo. Ela era sem dúvida uma daquelas pessoas solitárias, perdidas, aprendendo a morrer...

Muitas noites passei a observar luzes não identificadas que se moviam no horizonte. Por vezes pareciam aproximar-se. Esse fenômeno ótico atemorizou-me tanto certa noite, que passei o tempo todo acordado, junto à fogueira, relutando em fechar os olhos
no sono devido ao possível terror desconhecido que as luzes móveis representavam.

Muitas noites passei temeroso, tenso, inquieto, ansioso, num vago temor que me acontecesse alguma calamidade. Muitas noites permaneci acordado, pensando em meus filhos, minhas mulheres, minha família, meus amigos.

Muitas manhãs despertei para o gosto amargo do vazio no meu café, e por vários dias a dor do amor não-retribuído me fazia perder a fome. Espasmos de autopiedade iam e viam. Por vezes eu ouvia o estranho som do homem que chora por si mesmo.

Num certo dia de começo do verão, no Vale do Lago Seco, a oeste de Caliente, Nevada, que é certamente uma das mais desoladas regiões da Terra, tomei LSD suficiente para umas doze pessoas...
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 Raciocinando que se eu devia colher o fogo do altar, era essa a maneira de fazê-lo, comecei a manhã com grandes expectativas. Ao meio-dia a temperatura tinha subido a limites insuportáveis, e o único abrigo de que eu dispunha era o carro, transformado numa fornalha”... 

Às quatro da tarde entrei na fornalha e percorri todo o caminho até o lago Meda, acampando naquela noite no vale do Fogo. As coisas que aconteceram não incluíam nenhuma transformação.

Rodei vários quilômetros por uma péssima estrada num jipe que apenas me levou ainda mais para o fundo de regiões candentes, infernais. Um lagarto atravessou o meu caminho e dei um salto.

Naquele dia escrevi no meu diário: “Se eu sou Deus, então por que Deus tem medo de sua própria sombra?” Fiquei muito queimado de sol e senti dores durante a noite. No dia seguinte, Deus foi para Las Vegas, comeu um hambúrguer com chocolate maltado, e nunca mais tomou LSD.

Não obstante, persisti na crença de que acabaria tendo uma visão. Busquei lugares na terra que eram habitados pelos fantasmas de almas dos nativos americanos, fontes isoladas e cumes de montanhas, gargantas cheias de cascavéis e felinos, pedreiras onde estilhaços de obsidiana, ágata e quartzo espalhavam-se pelo chão como neve que não se fundia há centenas de anos.

Bebi nos riachos do Toiyabes e do Inyos, dormi nos arroios das montanhas Funerais e do Paraíso, subi as encostas das cadeias Negro, Rubi, e da Última Oportunidade.
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 Por toda parte meu Mestre cercava-me de beleza e terror. Atacava meus sentidos com o cheiro da salva, o gosto da truta nativa,o rumor dos pequenos pássaros. O coiote deixava-me gelado com gritos que lembravam minha infância. As cascavéis sopravam entre os juncos úmidos. A caveira semicarcomida de um burro selvagem riu para mim em Crystal Spring”...

Aprendi que a Natureza me falava quando esvaziei os ouvidos do meu próprio diálogo interior. Vi muitos ensinamentos vigorosos quando os olhos deixaram de ser perturbados pelo meu cérebro.

Preparei o coração, pelo jejum e atenção ao detalhe, observando a cada hora como as folhas dos choupos recolhiam o vento solar. E pensava com frequência em morrer.

Muitos exemplos, estranhos e maravilhosos, da criação da Grande Mãe me foram revelados. Mas nunca tive uma visão, se por 'visão' entendermos aquilo que Jacó, ou São João ou Alce Negro,  viram... 
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 Quando chegou 0 momento de voltar a civilização, quem voltou era o mesmo homem que havia partido. Seu Mestre provocara transformações profundas no seu coração, mas ele era o mesmo homem”...

Eu sabia mais sobre esse sistema, esse casulo que envolve a Alma. Sabia que eu era um olho com dois pés cegos. O meu vazio ansiava por movimento; meu fogo por combustível; meus ouvidos ansiavam pela música do silêncio; meus braços ansiavam pela terra áspera e vermelha; meus pés ansiavam por quilômetros; minha sede era muito maior do que qualquer fonte pudesse satisfazer.

 “Quem é você?”, rugia para mim o sol sem anteparos, arrancando as letras do meu nome do ser que se agachava lá dentro. O sol me fez escrever um poema sobre ele, arrancá-lo do meu diário e atirá-lo na terra seca para ser lido pelo escorpião. Ele fez com que eu me conhecesse então.

O deserto, minha Mãe, ensinou-me que um lampejo da asa do tordo era mais precioso do que a mais bela safira. Ensinou-me que o cheiro do choupo depois da chuva era mais exuberante do que as palavras da boca de um poeta...
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“Através dele [o deserto], fiquei conhecendo minha barriga quando tinha fome, meus olhos quando estavam arregalados, minha voz quando era sufocada pelo meu coração, meus ouvidos quando se enchiam de poeira alcalina, meus órgãos genitais quando eram esquecidos, meu peito quando a solidão o esvaziava de solidão, minhas pernas quando eram chamadas a outra caminhada”...

 Aprendi acima de tudo, que meu caminho seria árduo; que exigiria coragem, resistência, independência, e toda a inteligência que eu tivesse; que meu caminho era estreito, perigoso, preciso, espiralando para o alto, contornando a borda, alimentando a lançadeira do meu coração entre a urdidura e a trama do nascimento e morte.”...

Aprendi que não importava o que os outros pensassem, desde que eu trilhasse o caminho interior que leva à assimilação final, extática, da contribuição na morte; que meu caminho era solitário, que a morte caminhava comigo - ela o corpo, eu a sombra - para o meio-dia. Aprendi a sujeitar-me à minha mortalidade, mas nunca à minha morte...
 A decisão de voltar à civilização veio de repente, uma tarde, quando eu estava na lavanderia em Elko, Nevada, a cidade onde havia começado a minha busca”. 

Ocorreu-me, enquanto observava os moradores do local e os turistas fazendo o que eu fazia, que não tinha mais, realmente, medo de ficar sozinho. Na verdade, eu preferia a solidão. Meu verdadeiro problema era o medo de estar com outras pessoas.

Lembrei-me imediatamente de meus filhos. A vida da qual eu tinha me exilado, desabou sobre mim. Vi-me esmagado pela realidade de minha situação. Exceto ser ermitão, eu não sabia realmente o que fazer de minha vida. Aproximava-me da meia-idade; meus filhos estavam espalhados; não tinha companheira; não tinha dinheiro, nem tinha casa. 

Tinha, porém, um nome civilizado, Steven Foster. O ato de pronunciá-lo era estranho em minha boca. A ideia de que o nome estava ligado ao ser que estivera andando pela terra, purificando seu corpo com o sol, a lua e o vento, confundia-me e desanimava-me. Eu queria ficar com os meus ancestrais espirituais, os paiute ('povo da água') e dançar a Dança do Espírito. Dei-me um nome: Coração-na-Garganta.

Enquanto minhas roupas rodopiavam no secador, examinei todas as velhas contradições entre a Natureza e a civilização. Nunca detestei mais a segunda. Mas meu coração, que eu passara a respeitar, dizia calmamente:

“Volta para a tua vida e as pessoas que amas. O trabalho está ali. Aquilo que mais temes é a fonte da revelação e poder finais. Vai e aprende a viver com tua gente”...

Por isso voltei para viver uma vida que eu relutava em adotar, ocupar meu lugar como homem no mundo adulto do Condado de Marin, na California...
“Voltei para viver sozinho, como homem solteiro e pai divorciado. Foi um começo inseguro. Era difícil aprisionar a minha sombra sob telhados e luzes artificiais”...

Eu tinha medo dos seres humanos,o mais perigoso dos animais. Temia as minhas reações sociais. Sentia-me sempre constrangido e tinha profundo desprezo pelos que viviam vidas artificiais.

Lentamente, as estradas me reclamaram. A batida do relógio parcelava meus dias. Havia algum lugar para onde ir, alguém para ver e com quem emocionar-me, alguma coisa para fazer ou alguma coisa que devia ser feita. Havia dólares a serem ganhos e um número infinito de lugares onde gastá-los.
  
Aos poucos, as lembranças de minha vida no deserto se distanciaram, atenuadas pela insistente necessidade de sobreviver no deserto da cidade. Esqueci de colocar em prática as lições de meu Mestre: lições de paciência, autoconfiança e naturalidade animal.

Comecei a questionar a relevância da minha educação no deserto para as necessidades práticas da sobrevivência num deserto ainda mais selvagem do que qualquer outro.

A mãe de meus filhos precisava de dinheiro e eles precisavam de seu pai. Era preciso pagar o aluguel, consertar o carro, suportar as filas do supermercado, calçar os pés, e tornar o corpo respeitável com roupas...
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“Não era um problema terrível, mas apenas uma interminável sequência de pseudos-acontecimentos, um caleidoscópio de prazos de rotina. Durante muito tempo meu íntimo não aceitou a ideia de que o dinheiro tivesse a ver alguma coisa com a sobrevivência. Quando tive finalmente de aceitar esse fato, o fiz com amargura”...

Não obstante, era um problema terrível que eu enfrentava. Tive pena de mim mesmo. As marcantes alegrias do deserto tinham desaparecido. As dores da criação tinham começado.

Eu não teria o privilégio de receber lições da Grande Mãe sem a responsabilidade de levar a outros esses ensinamentos. Durante muito tempo rejeitei tal responsabilidade. Mas a visão de minha vida começou a crescer, apesar de tudo, nas trevas ansiosas e fechadas do desespero.

Alguma coisa estava nascendo em mim. A tensão e o desânimo de minha vida eram consequências das dores do parto que ocorriam na região do meu coração, e subiam para um doloroso vazio na minha garganta...
“Meus dias eram a placenta em que se alimentavam as raízes e tendões de um sonho imprevisto. O sonho uterino, chamemo-lo um sonho de destino, agitava-se e estendia-se no plasma flexível das palavras não pronunciadas, apenas esboçadas por lábios silenciosos”.

Como em qualquer nascimento, a morte antecede a libertação. Eu tinha de morrer antes que minha mente pudesse ler as palavras refletidas no espelho do meu coração.

Não me lembro exatamente quando morri. Pode ter sido numa tarde chuvosa, quando fui à caixa postal, para encontrá-la mais uma vez vazia. Pode ter sido na manhã seguinte a outro decepcionante e transitório encontro.

O momento real da morte não tem importância. O importante era o fato de que ao morrer eu tinha de abandonar as velhas maneiras de ver a mim mesmo, e colocar a minha fé no desconhecido.

Tinha também de deixar de lado deserto, deixar a nostalgia do seu silêncio e mistério, esquecê-lo sabendo que as suas montanhas estariam sempre ali, nítidas e impassíveis, esperando peregrinos para deixar neles a marca da consciência humana...
Para que algum dia eu voltasse a reconquistá-lo, plena e totalmente, como um homem de coração, tinha de deixá-lo a si mesmo e apegar-me à minha visão nascente”.

Mesmo que esse caminho me levasse ainda mais fundo para o voraz estômago do monstro da civilização, mesmo assim eu iria. Deixaria que me engolisse, mas apenas para descobrir como encontrar o meu caminho.

Eu não estava sem esperanças. Eu não estava sem meios. Eu podia aprender a amar e a ensinar novamente. Podia salvar-me.

Resolvi, portanto, dedicar parte de meu tempo ao trabalho voluntário no Serviço Telefônico de Prevenção de Suicídio e Assistência em Crises de Marin.  Não porque acreditasse que o suicídio era imoral, mas porque meu coração me dizia para ir.

Um amigo se dera ao trabalho de sugerir que eu talvez me sentisse bem fazendo esse trabalho. A ideia me agradou. Podia lançar minha voz na terra estéril e, através da minha solidão, estabelecer contato com outra alma humana, tendo em minha garganta o dom do coração...
Inscrevi-me no Programa de Treinamento. Como poderia eu saber que, [por uma 'coincidência significativa'], a mulher que me treinou viria a ser a minha esposa?!” 

Por meio dele [Programa de Treinamento], fui apresentado ao primeiro símbolo de minha nascente visão - a Sala dos Telefones. Foi nessa sala, com os telefones, a luz vermelha e o grande livro de registros, que a têmpera do meu coração foi testada, como por um fogo...
“Foi nessa sala, tarde da noite ou de manhã cedo, procurando afastar do cérebro o cansaço, que aprendi a ouvir as vozes desesperadas de solitários e a tragédia de suas vidas”...

A Sala dos Telefones era o centro do último recurso da cidade. Ali desaguavam os impulsos elétricos das vozes imateriais de solitárias almas humanas em crises finaisO telefone, como uma sinapse, estabelecia contato entre vozes vivas e catalisava um drama de amor e desespero.

A Sala dos Telefones era um enorme ouvido. Ouvia histórias secretas e ocultas, histórias sobre trevas e o lado escuro das coisas, histórias de pessoas que estavam morrendo e tinham medo...
Mas o ouvido tinha uma voz e um mito. A voz era como um farol, uma batida de coração no escuro, a respiração regular, constante, de um organismo vivo”...

Transmitia o mito tranquilizador: “Estamos todos sozinhos. Mas a vida é boa; vale a pena viver. Esteja aqui quando chegar o amanhã. Algum dia você encontrará o Amor”.

Pessoalmente, eu nem sempre acreditava nesse mito. Muitas vezes eu preferiria ter dito:
 em frente e acabe com isso.Morra e seja feliz”. Parecia-me absurdo que o suicídio fosse ilegal. Nem sempre fui capaz de amar os que chamavam, ou acreditar que, dadas as dificuldades que enfrentavam, que viriam a encontrar o amor.

Mas havia outros que me desafiavam a ajudá-los a ver por si mesmos que sua vida valia, realmente, a pena de ser vivida. Muitos me lembravam de mim mesmo. Eu tremia por dentro enquanto falava com eles. Eu estava aprendendo como amar...
“A Sala dos Telefones me ensinou muitas coisas. Ensinou-me que o ódio não era o único inimigo do Amor. Também o eram a culpa e a ira, a autopiedade e a hipocrisia, a ambição e a indiferença, a mentira e muitas outras coisas”... 

O Amor parecia ter mais inimigos do que qualquer outra verdade. E ainda assim parecia ser mais forte até mesmo do que a morte.

A Sala dos Telefones e ensino-me a ouvir, pesar e a ser justo, a ser paciente, e ao mesmo tempo criou uma premência, dentro de mim, de penetrar muito mais fundamente na questão da solidão, aventurar-me uma outra vez nesse deserto de dor e tristeza e enfrentar o monstro em seu covil...
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“Certa noite, eu mesmo telefonei para o Serviço de Prevenção de Suicídio, apenas para ver como era estar do outro lado do fio, ou pelo menos assim disse para mim mesmo. Na verdade, eu estava deprimido. Tinha brigado com minha namorada e se tia-me infeliz”... 

Dei um nome falso, mas comportei-me como realmente sou. Quem conversou comigo estava cansado, mas foi paciente e carinhoso. Disse: Se voltar a ficar deprimido, telefone”. Estaria sendo sincero? Creio que sim.

Todos os que telefonavam tinham, sem dúvida, algo em comum: estavam solitários. Vivendo com a mulher ou o marido num apartamento cheio, estavam sozinhos.

O ginecologista, receando ser homossexual, estava só. John de Tal, que estava apagando devido a um número não revelado de comprimidos de Valium, estava só. A menina de 11 anos, deitada na cama com várias fraturas e sem pai ou mãe, estava só. Josh, deitado nu no chão de seu apartamento, completamente bêbado, abraçado a um fuzil, estava só.

Jane de Tal, tendo acordado depois de dois dias e duas noites de semi-inconsciência por ter sido espancada pelo seu namorado, estava só. A dona de casa que telefonou para dizer que receava estar espancando os filhos, estava só; a moça muito gorda que fingiu ter sido convencida a não tomar uma dose excessiva de barbitúricos, desligou e foi tomá-la, também estava só...
“Pela manhã, quando terminava nosso turno da noite de quarta-feira, minha colega, que viria a ser minha mulher, e eu caminhávamos pelas ruas elegantes do Condado de Marin,olhando os olhos dos outros”...

Tínhamos vontade de parar determinadas pessoas e dizer: “Não foi você que ligou ontem à noite para a Prevenção de Suicídios e disse que estava morrendo de leucemia e que seu namorado a estava enganando?

À luz do dia tudo parecia mudado, e novo. Outro dia tinha amanhecido. Era o momento de começar de novo. Eu rezava para que todos os que haviam telefonadona noite anterior tivessem seus milagre hoje.

Mas a solidão viera morar na cidade e vagava pelas ruas à noite. Da próxima vez que entramos em serviço, as vozes chamaram de novo: Não, não tenho amigos. Sou gorda e feia. As pessoas pensam que sou doida, mas não sou. Elas não gostam de mim”.      

Muitas noites tive de arrastar-me até a Sala dos Telefones, relutando em enfrentar o desfio de uma outra noite. O que me atraía? Eu estava fascinado e atemorizado pela solidão.

Parecia-me que que Deus vivia ali em suas profundezas cruéis, que a solidão de alguma forma era o solo no qual brotavam as sementes do Amor. “A solidão ensina a dar”, diz Hyemeyohsts Storm. Todas as vezes que eu atendia o telefone, havia um ato de contato, uma dádiva...  
“Quando comecei a reconhecer essa superação do desconhecimento entre duas pessoas, comecei a ver. Comecei a ver o que eu podia fazer, como homem, neste mundo onde a crença e o mito parecem se ter transformado em passividade, conformismo e cinismo violento”...

Essa visão tomou primeiro a forma de uma decisão consciente de amar as pessoas, isto é, preocupar-me conscientemente com sua solidão, preocupar-me se morriam solitárias e desequilibradas, preocupar-me com o fato de que estamos todos desequilibrados e num perigo iminente de auto-aniquilação.

Mais tarde, quando me tornei mais flexível e relaxado dentro da força propulsora dessa visão, compreendi ser essa a única coisa que podia fazer, porque isso significava que eu estava no rumo.

Mesmo em momentos de grande cansaço e desespero, estando no rumo, eu ia dormir e morrer, para acordar no dia seguinte renascido, pronto para levantar-me e sair.

Levantava-me de novo porque os ventos desolados da solidão ainda agitavam as flores silvestres que cresciam na primavera do meu coração”...
“Embora eu tivesse esquecido a Grande Mãe do deserto, na correria e nas exigências da vida da cidade, ela estava sempre comigo. Continuava a falar-me através da chuva e do sol, através da moita de mato num beco”...

O deserto me renovava, desafiando-me a ver meus vizinhos como manifestações de mim mesmo. Desafiava-me a olhar para as feridas abertas pela humanidade em seu corpo. Desafiava-me a pensar que eu poderia ser o instrumento para a cura dessas feridas...

Era o deserto que me falava ao telefone, quando eu podia deixar que falasse, que falava aos ouvidos da solidão que chamava.

Assim a visão veio do meu coração, onde lágrimas de alegria e tristeza nascem na garganta e são marteladas pela linguagem em palavras. A visão de minha vida foi a seguinte:
“Eu vi os picos distantes e as ondulações inóspitas de uma terra deserta. No alto de uma garganta sem nome, um corvo feito da sombra da morte abria as asas ao vento”...

Na garganta lá embaixo, estava um homem, o ombro apoiado contra uma grande e sólida parede de pedra, sua caneca de folha enchendo-se com débil fio de fria água da fonte.           
     
Numa terra assim árida, selvagem, ele poderia ser qualquer um que procurasse manter-se vivo... Mas acontece que era eu. Eu estava nesse lugar deserto porque minha gente e eu estávamos com sede e não tínhamos nada para beber.

Eu sabia onde ficava essa fonte, no fundo do deserto cercado de rochas, e tinha ido para lá para recolher penosamente o precioso dom da vida em meus cantis...
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Mas eu tinha de agir depressa, pois a noite se aproximava, e no escuro eu não poderia encontrar o caminho de volta até os outros”.

Vi que o deserto e a garganta sem nome, com sua minúscula fonte, eram meu coração. A água que eu recolhia em meu cantil eram as lágrimas que manavam.

Essas lágrimas, puras e da Fonte da Vida,n vinham de mim porque eu estava chorando interiormente.

Por que chorava? Porque tinha recebido a oportunidade, pela Grande Mãe do deserto, de encontrar água e levá-la de volta para os outros, de ser um aguadeiro...
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Vi que minha viagem seria interior, para o deserto de meu coração, e uma dupla viagem exterior, para o deserto de pedra, areia e água, e para o labirinto selvagem das vidas de outras pessoas”.

Esses dois desertos, tão diferentes e ao mesmo tempo da mesma Fonte, estariam ligados, transformados num´único, quando eu levasse a água da pedra”...
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“Foi então que comecei a conceber os meios pelos quais eu pudesse compartilhar dessa visão com outros, num nível mais pessoal do que através do Serviço de Prevenção de Suicídio”...

Eu tinha aprendido, nas longas noites, que muitos de meus vizinhos estavam no limiar, como eu estivera. Entre essas pessoas foi criada a busca de visão, primeiro como conceito ansioso por nascer e, finalmente, como uma  prática concreta.

No início, eram poucos que se interessavam ou compreendiam. Mas esses poucos representaram muito. Por fim, juntamo-nos para representar pela primeira vez o rito de passagem que chamamos de busca de visão.

Foi no fim da primavera, no Yosemite. Não era o meu amado deserto. Tudo era uma festa de verde. Encontrei uma grande pedra glacial da qual jorrava uma pequena cascata. Ao lado desta, durante três dias e noites,jejuei e clamei por uma visão. A cascata falou comigo e disse-me:

“Você deve olhar dentro do seu coração e ver o que tem a dar a sua gente. E então deve voltar e dar isso"... Olhei para dentro do meu coração e vi o que eu tinha para dar...
Resultado de imagem para cascata no Yosemite
“Quando deixei tudo para trás e fui para o deserto, fiz o que as pessoas vêm fazendo há gerações, e em numerosas culturas”...

O processo e a verdade do processo estão profundamente interligados ao inconsciente coletivo, do qual eu apenas uma parte. A força de todos os que tinham ido antes de mim penetrou-me, não porque eu fosse digno, mas porque eu era humano.

Esta visão não é a minha visão, ou de Meredith. é a nossa (de todos os Homo sapiens) visão. Num sentido maior, é uma visão do coração de nossa Grande Mãe, o mesmo coração que em tempos antigos falou de seres humanos de mitas terras e origens, inclusive o povo asiático original da América.

E nós todos, que seguimos essa visão, entramos num tempo suspenso, um rio arquetípico do conhecimento coletivo, inconsciente, um tempo de estar sós com a Grande Mãe...
“A visão que nos ajudou a crescer, a nos modificar e a transformar nossas vidas. Acima de tudo, a visão que nos ajudou a aprender a amar, respeitar e tratar com carinho os nossos semelhantes, a caminhar em equilíbrio entre os dois mundos, a ceder, a cultuar o fogo no coração de nossa Mãe Terra, que nos deu o ser”... (Steven Foster).
[Extratos de 'Um Aprendizado Mágico', cap. 1. Série Somma. 1992. Titulo original: 'The Book of the Vision Quest'. '1980].


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DOCUMENTÁRIO INTERESSANTE:
Matheus Marques Leal - 7 anos atrás


Quem é Você... Realmente?!" - 'Who You Really Are?!' 
A verdade sobre quem você é está além de qualquer conceito sobre quem você é, por mais ignorante ou esclarecido, inútil ou grandioso [que se julgue ser]. A verdade sobre quem você é está livre de tudo isso"...

Física Quântica & Novas Formas de Olhar - Lynn McTaggart: 

MENSAGEM DE PAZ: 
'O Mundo Maravilhoso' - (Fotos de mary maestri). 
'Conhece-te a Ti Mesmo e Escolha a Paz!' - (Gangaji). 
[Repassado por http://anjosensinosluz..blogspot.com/]

Dicas dos 'Anjos de Cura':
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           (Consciência Plena).

 'Hino Celta ao Amor,à Amizade e Bênção'

SAUDAÇÃO NAMASTÊ
'O SER DIVINO EM MIM SAÚDA A DIVINDADE EM VOCÊ!'
'[https://futurodanovaterra.blogspot.com.br]. 

Luz, Amor e Paz! (Campos de Raphael). 
[Editado em 16 de junho de 2017 - Rio das Ostras.Rio de Janeiro ].