sábado, 13 de dezembro de 2014

Coincidências & Pessoas Significativas em Nossas Vidas - (Dra. Jean Shinoda Bolen).

"Every person,/ All the events of your life,/ Are there because you have drawn them there./ What your choose/ To do with them is/ Up to you”. (Richard Bach – ‘Illusions’).

(*) "Somos seres espirituais vivendo experiências numa forma humana"... Ninguém nasce num certo dia e hora ao acaso como mostra o mapa astrológico. A consciência espiritual, porém, ao adentrar a veste espacial feminina ou masculina, esquece a origem divina, a missão e/ou lições de vida para vivenciar no mundo espaço-tempo... Mas, as características do 'Anjo da Guarda do dia de seu aniversário', podem revelar potencialidades e qualidades que você escolheu experienciar no 'campo quântico de possibilidades' e expandir a consciência do 'Self' imortal, figurado às vezes como "criança divina"... NOTE BEM: Embora a infância seja pré-determinada por fator kármico ou escolhas antes de nascer, é-nos dado a opção de mudar nosso roteiro, na adolescência e vida adulta, rumo ao 'Bem Superior', ou para baixo, o 'Mal'. Tudo faz parte do aprendizado, regido pela Lei: "O que homem semear, isso também colherá"... (Campos de Raphael).
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‘Merlin’s Magic’. Angelic Heavenly. (1h:02).

Dicas de Saúde - ('Anjos de Cura' de Raphael): 'Bicos de papagaio', dores de coluna, articulações, pedras nos rins? Podem provir da carência de magnésio no seu organismo! Conheça o segredo médico revelado pelo experiente Clínico, Dr. Luiz Moura:

Coincidências & Pessoas Significativas em Nossas Vidas - 
(Dra. Jean Shinoda Bolen).
"A sincronicidade [presente nas coincidências significativas] pode preparar o caminho para as pessoas se aproximarem. Pode-se discernir a mão delicada e oculta da sorte, do destino, do Tao subjacente ou da sincronicidade - seja qual for o nome que se dê ao 'elemento casamenteiro' - ao deslindar as circunstâncias através das quais duas pessoas se encontram para ingressar num relacionamento significativo"... Quando um encontro acidental provocado aparentemente pelo acaso corresponde a uma situação psicológica interior, essa é então uma coincidência significativa, em que a sincronicidade é evidente. Foi assim que funcionou na minha vida pessoal como na profissional...

Pouco antes de conhecer o meu marido, por exemplo, eu vinha sentindo que uma fase de minha vida havia terminado e que era chegado o momento de passar a outra etapa. Reagi a esse chamado interior decidindo deveras me mudar. Organizei as coisas de modo a sair de San Francisco e mudar-me para a cidade de Nova Iorque, para completar o meu último ano de residência em psiquiatria antes de ir para Londres por um ano de residência. Pouco antes dessa mudança, o acaso de um encontro mudou o rumo de minha vida.

Aproximava-se a comemoração do Dia de Ação de Graças e decidi passar o feriado em Los Angeles. Uma de minhas companheiras de quarto, Elaine Fedors, estava planejando dar uma festa por ocasião dessa data no nosso apartamento, em Sausalito.

A festa havia sido inspirada por Dick Rawson, um psiquiatra residente que estava querendo apresentar um de seus amigos a Elaine. Dois dias antes dessa data comemorativa, eu me dei conta de que devia estar na clínica de San Francisco na sexta-feira seguinte, o que impossibilitava estender o fim de semana em Los Angeles. Eu estava ‘encalhada’ e, afinal, estaria em Sausalito para a festa. Como consequência, conheci James Bolen, com quem me casei seis meses mais tarde...
Por uma coincidência, Jim também havia planejado passar o Dia de Ação de Graças com parentes na região de Los Angeles, porém teve de permanecer em San Francisco, por motivos inesperados de trabalho. Como resultado dessa mudança de planos, e não sabendo o que fazer naquela data, telefonou para Dick para ver se o convite que havia recusado há algumas semanas ainda estava em aberto. A resposta foi positiva. Dessa forma, Jim entrou na minha vida.

Dick e Jim haviam estado juntos na Força Aérea há uns doze anos como jovens recrutas. Após um lapso de tantos anos, seus caminhos se cruzaram novamente. Neste ínterim, Jim havia mudado de engenharia para jornalismo e relações públicas, o que o levou de Iowa para o sul da Califórnia, antes de trazê-lo à região da baía de San Francisco. Dick foi de Berkeley para a Escola de Medicina de Los Angeles; depois, para a Filadélfia, antes de regressar a San Francisco.

Seja como for, para que o encontro entre Jim e eu acontecesse foi preciso uma série complexa de coincidências. Nossa disponibilidade interior para esse encontro, do qual o amor cresceria rapidamente até culminar no casamento, também havia exigido uma quantidade de desvios, curvas e de outros relacionamentos, até chegar a essa encruzilhada significativa. Esse encontro transformou o rumo de nossas vidas; daí em diante, nossos caminhos se fundiram... 

É impossível saber se um encontro foi produto da sincronicidade em ação ou apenas o modo como as coisas ocorreram. Numa retrospectiva, parece-me o fato de acontecer naquele preciso momento foi significativo, pois eu estava saindo de um relacionamento conflitante, deixando para trás uma longa fase percorrida e terminada: agora eu estava pronta para encontrar 'um homem já adulto'.

Um episódio exterior disposto pela sincronicidade coincidiu com a minha transformação interior, que ocorreu paralelamente a uma situação similar interior simultânea com Jim. Quando duas pessoas se encontram em sincronicidade, cada qual é ‘um outro significativo’ e ambas estão numa encruzilhada pessoal crítica, capazes de serem profundamente afetadas. Podem ocorrer então transformações dramáticas...
Como diz Jung: “O encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambos sofrem uma transformação”. Em alguns casos, naquele preciso momento de tempo, cada pessoa pode estar excepcionalmente suscetível à ação ‘química’ específica do outro...

Reflita sobre os seus próprios  encontros significativos – aqueles que conduzem a relacionamentos intensos e importantes, a uma nova carreira profissional, ao crescimento intelectual, psicológico ou espiritual. Pense sobre as pessoas que conheceu e transformaram profundamente, de um modo ou de outro, a direção de sua vida.

Lembre-se então das circunstâncias do encontro inicial com cada uma delas. O encontro foi oportuno do ponto de vista psicológico? Você teria estado pouco receptivo ou indisponível um pouco antes?Havia uma nova abertura ou suscetibilidade correspondente a essa nova pessoa? O elemento 'casamenteiro' poderia ter sido a sincronicidade?

Encontros significativos resultaram da colisão acidental de dois carros, ou como consequência de alguém perder-se numa cidade estrangeira esbarrando com outro compatriota, ou ainda de se estar sentado por acaso ao lado de um pessoa num Boeing 747...
Todos esses encontros, obviamente não-intencionais nem planejados, revelam a mão sutil da sincronicidade. Quando a regulagem do momento exato interior e o encontro exterior se encaixam com precisão, quando um encontro parece fantasticamente feito sob medida, sem a possibilidade de haver sido intencional, então pode ser que a sincronicidade tenha sido o elemento casamenteiro em ação...

Muitos encontros sincronísticos parecem ter ocorrido em minha vida profissional. Talvez sejam mais óbvios, porque o modo como uma pessoa chega a mim (ou a qualquer terapeuta) pode ser seguido num caminho em ziguezague que indica estar cheio de coincidências. A sincronicidade também pode desempenhar um papel na criação de uma abertura no meu programa, precisamente no devido momento, para permitir que eu receba determinada pessoa. Um novo paciente pode ser profundamente movido pelo sentimentos de que uma extraordinária série de circunstâncias sincronísticas ocasionaram seu encontro comigo, devido a algo especial ocorrido no encontro.

Ocorreu um ‘casamento’ particularmente fantástico quando certo pastor episcopal veio me ver. Eu era a psiquiatra de um amigo ao qual ele havia confiado seu desespero e ansiedade, aliás a única psiquiatra de quem ouvira falar. Ele tinha dificuldade em confiar em mulheres e havia relutado em me telefonar, até que o aumento do desespero de sua situação o obrigou finalmente a superar suas restrições. Para ele, era duro consultar uma psiquiatra mulher.

Conhecendo-me apenas como dra. Jean Bolen e supondo, pelo meu nome, que era uma mulher branca ocidental, sentara-se na sala de espera temendo que a sua consulta fosse um terrível engano. Quando desci as escada, e ele encontrou-se inesperadamente diante de uma nipo-americana baixinha, alterou consideravelmente a situação.

A única imagem feminina positiva que ele tinha – graças às histórias de um tio que havia sido seu ídolo, a respeito da ocupação do Japão pelo exército americano – era a da mulher japonesa. Considerava as demais mulheres artificiais e manipuladoras... A mulher sobre a qual o seu tio lhe havia falado era estranha à sua própria vivência, porém simbolizava a ideia de que, entre essa impressão avassaladora negativa das mulheres, a japonesa poderia não ser ameaçadora e, sim, atenciosa, capaz de dar apoio a ajuda.

É claro que ao conhecer-me, ele ficou aliviado diante desse fato inesperado: eu me convertia em alguém com quem ele poderia trabalhar. Seu alívio foi cedendo lugar à admiração, à medida que se evidenciou mais ainda a sincronicidade em tudo isso.

Ele precisava resolver tanto a sua vocação espiritual como os seus empenhos criativos de escrever; e, entre todas as terapias à sua disposição, a perspectiva junguiana (não buscada conscientemente) era a que oferecia maior ajuda nessas áreas. E a sincronicidade tinha de estar bem afinada para haver planejado o nosso encontro, já que eu era a única analista junguiana japonesa à disposição...
Outro encontro inicial que teve o sabor da sincronicidade, conduziu à minha terapia uma pintora que teria para mim um significado especial. O meu nome lhe havia sido indicado há alguns meses e, nada sabendo a meu respeito, ela não me telefonou para marcar uma entrevista, porém levou meu nome anotado num pedaço de papel.

Algum tempo depois sua mãe, que morava no sul da Califórnia, pediu-lhe que procurasse a revista Psychic, publicada em San Francisco. Durante a visita a uma amiga, ela deparou-se com a revista sobre a mesa de café – um número antigo e gasto, de quase um ano. Ao folhear a revista, devido à curiosidade que a mãe lhe despertou, encontrou o único artigo que eu havia escrito para essa revista, no decorrer de seis anos desde a sua primeira publicação. O trabalho era a respeito da psicoterapia e da meditação no tratamento do câncer, mencionando o trabalho do Dr. Carl Simonton. No final do artigo havia a minha foto e uma síntese biográfica...

Esse encontro inesperado comigo na revista a induziu a me ligar no dia seguinte, momento em que eu dispunha de uma vaga. Se ela tivesse telefonado logo após lhe ter sido indicado o meu nome, eu provavelmente a teria recomendado a outra pessoa, pois não tinha disponibilidade de horário para um novo paciente.

O encontro desses pacientes comigo foi de uma coincidência significativa. Eles tiveram a sensibilidade de perceber que os fatos haviam sido dispostos por circunstâncias especiais, fazendo com que trabalhássemos juntos, e desde o início isso os convenceu de que o nosso trabalho seria significativo. A sincronicidade nos transmitiu uma sensação de ‘inevitabilidade’.

Levei muito mais tempo para avaliar que também para mim esses encontros seriam particularmente significativos, e importantes para o meu próprio crescimento...
Meu trabalho com esse pastor transformou-se afinal numa tese que redigi, em detalhe, para apresentar à banca examinadora no ‘rito de passagem’ final ao meu credenciamento como analista junguiana. A análise do pastor estava repleta de episódios sincronísticos que tiveram forte influência sobre o desenvolvimento do pensamento meu nessa direção. O fato de estar agora escrevendo esse livro a respeito da sincronicidade resulta em parte daquela minha experiência.

A pintora, que teve a sensação de que o destino havia contribuído para conduzi-la a mim, teve uma profunda influência sobre a minha conscientização da natureza da análise. Quando no meio da análise percebi inesperadamente que não podia ver de modo claro o meu próprio rumo, atingi um conhecimento mais profundo da alquimia como uma metáfora desse processo.

E compreendi por que Jung talvez tenha pesquisado esse tema tão profundamente (em sua obra Psicologia e Alquimia; em Psicologia da Transferência, em que utiliza um tratado alquímico como meio de explicação, e no Mysterium Coniunctionis).

A análise que empreendi com a pintora começou a dar a impressão de estarmos juntas num labirinto ou num emaranhado. Na mitologia grega, quando Teseu penetra no labirinto para enfrentar o Minotauro, ele conta om a ajuda do fio dourado de Ariadne para guiá-lo na volta. Para mim, à medida que cada novo enroscar e cada curva do emaranhado psicológico exigia a escolha de uma ação ou de uma interpretação, parecia-me que o fio dourado no qual havíamos de confiar para nos conduzir à saída era a intuição...
 Eu tive de apostar em algo mais profundo do que aquilo que eu conhecia através do meu treinamento teórico e de minha experiência clínica anterior, e por intermédio dessa vivência adquiri a humildade e a confiança necessárias para aceitar que os sonhos e os episódios sincronísticos me conduzissem.

Já que uma análise é um encontro humano muito profundo, não só o paciente é afetado por este processo, pois o poder de efetivar uma transformação no relacionamento também pode afetar o analista. Por esse motivo, Jung considerava o processo analítico como algo similar à reação alquímica – para que um dos elementos se transforme no decorrer do processo (o paciente), o outro também tem de ser afetado (o analista)... Parece-me que meus pacientes passam pela porta de meu consultório acompanhados da oportunidade e da necessidade de trazerem à tona aspectos de mim mesma.

Seja o que for aquilo de que eu ainda precise me conscientizar, qual for o calcanhar da Aquiles, seja qual for o meu momento crítico de crescimento, este chegará à minha porta sincronisticamente. Ao perceber quando a sincronicidade parece estar contribuindo para aproximar alguém de mim, eu me pergunto se este será um encontro que encerre um significado especial tanto para mim como para o paciente...
Todos aqueles cujo trabalho envolve uma ajuda ou o ensino a outrem fariam bem em ficar atentos à sincronicidade. Em todos os encontros sincronísticos, um elemento importante está atuando em uma ou em ambas as pessoas, conferindo uma carga emocional à situação. A atração, a aversão [rejeição] ou a fascinação estão invariavelmente presentes entre as duas pessoas que se encontram por meios sincronísticos. Isso porque o encontro fez que emergisse, do fundo da psique, uma imagem ou um arquétipo carregado emocionalmente, tornando-o vivo. Uma reação emocional intensa a uma imagem arquetípica é bem natural...

“Cada pessoa,/ Todos os episódios de sua vida,/ Aí estão porque você aí os colocou./ O que fazer com eles,/ Depende de você”. (Richard Bach). [Extraído de ‘A Sincronicidade e o Tao’, p. 73/78. Jean Shinoda Bolen. Cultrix. Título original: ‘The Tao of Psychology: Synchronicity and the Self’. 1979].
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