sexta-feira, 3 de outubro de 2014

CARL JUNG: Sua Visão Feérica da Terra, antes dos Astronautas! & O Templo Daqueles a Que Pertencia. (C. G. Jung).

"A experiência mais bela que se pode ter é a do misterioso"... (Albert Einstein).


(*) "Somos seres espirituais vivendo a experiência humana"... Ninguém nasce num certo dia e hora por acaso, como mostra seu mapa astrológico. Esquecemos, porém, a origem de nosso ser interior ao adentrar a veste humana, a missão e lições escolhidas para vivenciar numa veste feminina ou masculina. Mas, as características do 'Anjo da Guarda' de seu aniversário podem revelar certas potencialidades que você escolheu experienciar no 'campo quântico de possibilidades', para expandir a consciência do Self imortal, figurado às vezes como 'criança divina'... NOTE BEM: Embora a infância seja pré-determinada por fatores kármicos, temos sempre a opção de mudar o roteiro, na adolescência ou vida adulta: rumo ao 'Bem superior', ou para baixo, o 'mal'... Tudo regido pela Justiça e Amor divinos. 'Karma' (escolha e ação) é lei universal: "O que o homem semear, isso também colherá". [Paulo aos Gálatas, 6.7]. (Campos de Raphael).

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Carl Jung: Sua Visão Feérica da Terra, antes dos Astronautas! & O Templo Daqueles a Que Pertencia. (Relato de C. G. Jung).
“No início de 1944 [aos 69 anos de idade] fraturei um pé e logo depois tive um enfarte cardíaco. Durante a inconsciência tive delírios e visões que provavelmente começaram quando, em perigo de morte, administram-me oxigênio e cânfora. As imagens eram tão violentas, que eu próprio concluí que estava prestes a morrer”.

Disse-me minha enfermeira mais tarde: “O senhor estava como que envolvido por um halo luminoso”. É um fenômeno que ela observara às vezes nos agonizantes. Eu tinha atingido o limite extremo e não sei se era sonho ou êxtase. Seja o que for, aconteceram coisas muito estranhas...

Parecia-me estar muito alto no espaço cósmico. Muito ao longe, abaixo de mim, eu via o globo terrestre banhado por uma maravilhosa luz azul. Via também o mar de um azul intenso e os continentes. Justamente sob os meus pés estava o Ceilão e na minha frente estendia-se subcontinente indiano.

Meu campo visual não abarcava toda a Terra, mas a sua forma esférica era nitidamente perceptível e seus contornos brilhavam como prata através da maravilhosa luz azul. Em certas regiões, a esfera terrestre parecia colorida ou marchetada de um verde escuro como prata oxidada. Bem longe, à esquerda, uma larga extensão – o deserto vermelho-alaranjado da Arábia. Era como se ali a prata tivesse tomado uma tonalidade alaranjada. Adiante o Mar Vermelho e mais além, como no ângulo superior esquerdo de um mapa, pude ainda perceber uma nesga do Mediterrâneo.

Meu olhar voltara-se sobretudo para essa direção, ficando o restante impreciso. Evidentemente via também os cumes nevados do Himalaia, mas cercado de brumas e nuvens. Não olhava “a direita”. Sabia que estava prestes a deixar a Terra... (*)

(*) [Note Bem: Essa visão da Terra "banhada por maravilhosa luz azul", ocorreu a Jung durante sua Experiência de Quase-Morte (EQM) em 1944, e publicada em 'Memorias' em 1961 -, ano que ele deixou a veste física. Nenhum 'psicologismo' pode 'explicar' que os olhos físicos de Jung teriam visto antes tal imagem, pois divulgada pelos astronautas e NASA apenas em 1969. (Campos de Raphael].

Mais tarde informei-me de que distância dever-se-ia estar da Terra para abarcar tal amplidão: cerca de mil e quinhentos  quilômetros! O espetáculo da Terra visto dessa altura foi a experiência mais feérica e maravilhosa de minha vida. Após um momento de contemplação eu me voltei. Postara-me, por assim dizer, dando as costas ao Oceano Índico com o rosto voltado para o norte.

Parecia-me agora virar em direção ao sul. Algo de novo surgiu no meu campo visual. A uma pequena distância percebi no espaço um enorme bloco de pedra, escuro como meteorito, quase do tamanho de minha casa, talvez um pouco maior. A pedra flutuava no espaço e eu também... Vi pedras semelhantes nas costas do Golfo de Bengala. São blocos de granito marrom escuro, nos quais às vezes se escavavam templos. Minha pedra era também um desses escuro e gigantescos blocos.

Uma entrada dava acesso a um pequeno vestíbulo: à direita, sobre um banco de pedra estava sentado na posição de lótus, completamente distendido e repousado, um hindu de pele bronzeada vestido de branco. Esperava-me sem dizer uma palavra.

Dois degraus conduziam a esse vestíbulo: no interior, à esquerda, abria-se o portal do templo. Vários nichos cheios de óleo de coco em que ardiam mechas cercavam a porta de uma coroa de pequenas chamas claras... Isso eu realmente vira em Kandy na ilha do Ceilão, quando visitava o templo do Dente Sagrado; inúmeras fileiras de lâmpadas a óleo cercavam a entrada dele.

Quando me aproximei dos degraus pelos quais se chegava ao rochedo, ocorreu-me algo estranho: tudo o que tinha sido até então se afastava de mim. Tudo o que eu acreditava, desejava ou pensava, toda a fantasmagoria da existência terrestre se desligava de mim ou me era arrancada – processo extremamente doloroso. Entretanto, alguma coisa subsistia, porque me parecia então ter ao meu lado tudo o que vivera ou fizera, tudo o que se tinha desenrolado a minha volta.

Poderia da mesma maneira dizer: estava perto de mim, e eu estava lá; tudo isso, de certa forma, me compunha. Eu era feito de minha história e tinha a certeza de que era bem eu. “Eu sou o feixe daquilo que se cumpriu e daquilo que foi”. Essa experiência me deu a impressão de extrema pobreza, mas ao mesmo tempo de uma extrema satisfação. Não tinha mais nada a querer nem a desejar; poder-se-ia dizer que eu era o objetivo; era aquilo que tinha vivido.

No princípio, dominava o sentimento de aniquilamento, de ser roubado ou despojado; depois, isso também desapareceu. Tudo parecia ter passado; tudo o que restava era um fato consumado sem nenhuma referência ao que tinha sido antes. Nenhum pesar de que alguma coisa se perdesse ou fosse arrebatada. Ao contrário: eu tinha tudo o que era e tinha apenas isso.

Tive ainda outra preocupação: enquanto me aproximava de templo, estava certo de chegar a um lugar iluminado e de aí encontrar o grupo de seres humanos aos quais na realidade pertenço. Então finalmente compreenderia – isso também era para mim uma certeza – em que relação histórica me alinhava, eu ou minha vida. Eu saberia o que houvera antes de mim, porque me tornara o que sou e para o que a minha vida tenderia...
Minha vida vivida me apareceu frequentemente como uma história sem começo nem fim. Tinha o sentimento de ser uma perícope histórica, um fragmento ao qual faltasse o que o precede e o que se segue. Minha vida parecia ter sido cortada por uma tesoura numa longa corrente e na qual muitas perguntas tinham ficado sem resposta. Por que aconteceu isso? Por que trouxera comigo tais condições prévias? O que fizera dela? O que dela resultaria?

Eu tinha certeza de que receberia a resposta a todas essas perguntas, assim que penetrasse no templo de pedra. Aí compreenderia porque tudo fora assim e não de outra maneira. Eu me aproximaria de pessoas que saberiam responder à minha pergunta sobre o antes e o depois.

Enquanto pensava nessas coisas, um fato atraiu a minha atenção: de baixo da Europa, ergueu-se uma imagem: era o meu médico, ou melhor sua imagem, circundada por uma corrente de ouro ou por uma coroa de louros dourada.

Pensei de imediato: “Ora veja! É o médico que me assistiu! Mas agora aparece em sua forma primeira, como Basileus de Cos [lugar famoso na Antiguidade por causa do templo de Esculápio]. Durante sua vida fôra um avatar desse Basileus, a encarnação temporal da forma primeira, que existe desde sempre. Ei-lo agora em sua forma original”.

Sem dúvida eu também estava na minha forma primeira. Não cheguei a percebê-lo, imagino somente que deva ter sido assim. Quando ele chegou diante de mim, pairando como uma imagem nascida das profundezas, produziu-se entre nós uma silenciosa transmissão de pensamentos.

Realmente meu médico fora delegado pela Terra para trazer-me uma mensagem: protestavam contra a minha partida. Não tinha direito de deixar a Terra e devia retornar. No momento em que percebi essa mensagem a visão despareceu. Decepcionei-me profundamente; tudo parecei ter sido em vão. O doloroso processo de 'desfolhamento' tinha sido inútil: não me fôra permitido entrar no templo nem encontrar os homens entre os quais tinha o meu lugar...
Na realidade passaram-se ainda três semanas antes que me decidisse a viver; não podia alimentar-me, tinha aversão pelos alimentos. O espetáculo da cidade e das montanhas que via do meu leito de enfermo parecia uma cortina pintada com furos negros ou uma folha de jornal rasgada com fotográficas que nada me diziam. Decepcionado, pensava: 'Agora é preciso voltar para dentro das caixinhas!' 

Parecia, com efeito, que atrás do horizonte cósmico haviam construído artificialmente um mundo de três dimensões no qual cada ser humano ocupava uma caixinha. E de agora em diante deveria de novo convencer-me que viver nesse mundo tinha algum valor!

A vida e o mundo inteiro se me afiguravam uma prisão e era imensamente irritante pensar que encontraria tudo na mesma ordem. Apenas experimentara a alegria de estar despojado de tudo e eis que de novo me sentia – como todos os outros homens – preso por fios dentro de uma caixinha. Quando estava no espaço não tinha peso e nada podia me atrair. E agora, tudo terminado!

Sentia resistência contra meu médico porque ele me reconduzira à vida. Por outro lado, inquietava-me por ele: 'Por Deus, ele está ameaçado. Não me apareceu sob a forma primeira? Quando alguém chega a essa forma é que está para morrer e desde então pertence a sociedade de 'seus verdadeiros semelhantes...
Repentinamente tive o terrível pensamento de que ele deveria morrer – no meu lugar! Procurei fazê-lo entender da melhor maneira, mas não me compreendeu. Então me aborreci. 'Por que finge ignorar que é um Basileus de Cos e que já reencontrou a sua forma primeira? Quer-me fazer acreditar que não sabe?- Isso me irritava.

Minha mulher reprovou a falta de amabilidade que eu demonstrava em relação a ele. Ela tinha razão, mas mele me contrariava, recusando-me a falar de tudo o que vivêramos em minha visão. 'Deus meu, é preciso que ele preste atenção! Não pode ficar assim tão despreocupado. Gostaria de falar-lhe de que tomasse cuidado consigoEra a minha firme convicção de que ele estava em perigo porque eu o vira em sua forma original. E, com efeito, fui seu último paciente...

“Em 4 de abril de 1944 – sei ainda exatamente a data – fui autorizado pela primeira vez a sentar-me à beira da cama e neste mesmo dia ele se deitou para não mais se levantar. Soube que tivera um acesso de febre. Pouco depois morreu de septicemia. Era um bom médico; tinha algo de gênio, pois não teria aparecido sob os traços do príncipe de Cos”... [Extraído de ‘Memórias’,  p. 253/56. C. G. Jung. Editora Nova Fronteira. Título em inglês: 'Memories, Dreams, Reflections’. 1961].

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 Luz, Amor e Paz! (Campos de Raphael).