sábado, 31 de agosto de 2013

ANTIGA TRADIÇÃO. BARDOS & DRUIDAS.

 
“Ó Escutai a voz do Bardo,
Que o presente, passado e futuro vê;
Cujos ouvidos escutaram a Palavra sagrada
E caminhou entre as árvores antigas”...
‘Songs of Experience’
 
Guardião do Dia. 'LEWIAH': "Deus auxílio aos pecadores". Protege os nascidos em 31/08, 12/11, 24/01, 07/04 e 19/06. Quem nasce sob sua proteção, suportará todas as adversidades, pois sabe que é uma forma de evolução espiritual e material. Curioso, estará sempre disposto a aprender e passar cada experiência na vida. Terá proteção angelical e domínio sobre os acontecimentos na sua vida. Alcançará a graça de Deus quando permanecer firme e decidido na luta por seus ideais. Saiba mais. (Clic): 'Lewiah' - 19º Anjo. Categoria 'Tronos'.
 
'TRONOS': Categoria angelical que inspira os homens à arte e à beleza. São representados nas pinturas como anjos bonitos e jovens, que trazem consigo uma harpa, cítara, flauta ou algum tipo de instrumento musical. Apreciam oráculos e de consultá-los. Tsaphkiel é o seu Príncipe-Arcanjo, associado à Terra, tem como simbologia expressar as forças criativas em ação, auxiliando-nos a vislumbrar o porvir. Sua facilidade em projeção astral, permite que elimine via sonhos, fatos ou acontecimentos ruins que lhes poderiam suceder. Apreciam a música e ficar em silêncio. Dóceis e ternas, procuram ouvir a voz do coração ao invés da mente, seu lado racional... 
 "Ninguém nasce para sofrer; nasce para aprender". (Campos de Raphael)



Amor aos Animais. Dê este exemplo: ‘Ainda Existem Pessoas Boas’. 

“Eu sei”: Anjos Existem. ‘Amor de Anjos’. 

Antiga Tradição. Bardos & Druidas
“Sabendo alguma coisa do que os bardos fizeram, e como eram treinados, podemos agora perguntarmo-nos qual a importância do trabalho bárdico, hoje em dia”...
 
Não é coincidência começar nosso estudo sobre o druidismo dentro do grau bárdico. Sua importância como base para nossa vida, desenvolvimento da personalidade e espiritual, não é menos significativa agora do que há milhares de anos, e poderia se dizer que é ainda mais indispensável hoje do que então. A pista para entendermos por que deveria ser assim está na percepção de que os bardos históricos trabalharam com a Memória e a Inspiração.

Um dos principais motivos da sensação de alienação do homem moderno encontra-se no fato de ter ele se separado do mundo natural e das raízes do seu passado. A prática do druidismo procura curar essa alienação – reconectando o nosso passado e o mundo da natureza.

No grau bárdico abrimo-nos para o poder restaurador da compreensão druídica da natureza – permitimos que a Mandala do Ciclo Sazonal Óctuplo aprofunde-se em nossos seres.

Trabalhar com a Memória significa trabalhar com a herança e a linhagem, bem como com a mitologia e as histórias da tribo. Trabalhar com a Inspiração significa abrirmo-nos para nossa criatividade interior. 

Muitos dos problemas que enfrentamos em nosso mundo desenvolvido resultam de reprimirmos e negarmos o artístico em todas as suas formas.
 
A moderna pesquisa do cérebro mostra que, para a maioria, o funcionamento principal vem do hemisfério cerebral esquerdo, dominante, que intermédia a função do pensamento analítico. O hemisfério oposto [direito, intuitivo] tem menos influência na nossa maneira atual de viver – é o hemisfério que intermédia a sintetização, as formas não analíticas de pensamento e expressão: é a parte do cérebro considerada responsável pela expressão artística...

É opinião geral que, para tornarmo-nos seres completos, precisamos criar para ambos os hemisférios oportunidades de desenvolvimento e expressão. Essa verdade foi expressa pelos alquimistas (e existe uma forte tradição da Alquimia dentro do druidismo) e, posteriormente, por Carl Jung que desenvolveu a teoria de Logos e Eros arquetípicos – aspecto masculino e feminino da psique, os quais necessitam para o nosso desenvolvimento relacionar-se e, eventualmente ou periodicamente, se unir.
 


Os alquimistas sabiam da importância dessa conjunção e deram-lhe o nome de Casamento Místico ou Mysterium Coniunctionis - [os rosa-cruzes clássicos também a ele se refere na obra ‘O Casamento Alquímico de Cristão Rosacruz’. Editora Rosacruz Áurea].

Agora, a moderna pesquisa do cérebro tem nos ajudado a observar uma possível correlação física desses dois aspectos do Self, mostrando o caminho em que as diferentes funções cerebrais são compartilhadas entre os dois hemisférios - [fato conhecido e aplicado pelos mayas. Ver ‘A Segunda Profecia Maya’].

Nossa educação tem se concentrado principalmente no desenvolvimento das habilidades do pensamento analítico e matemático, embora as escolas de Rudolf Steiner sejam notáveis por sua tentativa de conferir, em seu currículo, igual status ao desenvolvimento artístico - [Sistema aplicado nas Escolas Waldorf. [Veja:. Federação das Escolas Waldorf no Brasil].

Quando entramos no caminho bárdico, começamos um processo de desenvolvimento do hemisfério não-dominante [hemisfério direito]. Abrimo-nos para o Self artístico e criativo. Isso não é uma tarefa simples e, num caminho típico do druidismo, o trabalho é empreendido evidentemente em todas as direções.

Através do esquema do festival óctuplo, e com os poderes dos quatro elementos que são conferidos aos pontos cardeais no círculo sagrado do trabalho druida, o bardo é trazido para um estágio em que tem conhecimento e trabalha com os quatro aspectos do seu ser – representados pela terra, sua praticalidade e sensualidade; pela água, sua receptividade e emocionalidade; pelo ar, sua racionalidade; e pelo fogo, sua intuição e entusiasmo.

Ao ganhar acesso a esses quatro elementos e partes do Self, e trabalhar para harmonizá-los, o aspirante bárdico intensifica sua criatividade interior. Desenvolve, então, os recursos do corpo e coração, mente e intuição, tornados disponíveis para guiá-lo e inspirá-lo. Dessa maneira, aprendemos a contornar a mente racional, que gosta de criar limites à compreensão.

Para poder operar, o intelecto cria distinções, categorias, construções mentais através das quais a experiência pode ser compreendida e aplicada. Isso é essencial para nossa sobrevivência e progresso no mundo. Os problemas aparecem quando essa capacidade de criar padrões de referência não é contrabalançada pela capacidade de transcender as estruturas e abrir-nos para o transracional – o inexplicável com palavras, mas não menos verdadeiro.

Poesia e música são sumamente capazes de nos ajudar a ultrapassar padrões e pontos de vista. Tocada, falada, cantada ou representada, alarga as fronteiras, abre horizontes, invoca energias para o intelecto, que sozinho não pode apreender ou categorizar com seus esforços. Aqui está o poder bardo – dissolver nossas fronteiras, nossos padrões de referência – mesmo que seja só por um momento. Sinta a poesia do bardo moderno, em 'For Now':
"Insondável desconhecido,
Atrás e em todas as coisas -
Vale – francelho – celidônia:
Você em lugar nenhum e em todas as coisas"...

"E sendo nada é forçado a silenciar,
Sendo incapaz de falar
Você vê todas as coisas,
E eu vejo você
E eu vejo que Eu sou
O âmago do que estou vendo:
 O Sol se aproximando
Para encontrar o Homem
Que cruzou a linha,
Que saiu de dentro de si mesmo.
Fica ali na frente,
Despido na luz".
(Jay Ramsey  - For Now).
A mente não pode apreender totalmente a força deste poema – a pessoa sofre o impacto da força das palavras e imagens de uma maneira que resiste à descrição ou explicação. Essa é a função da poesia, e do bardo. Ir além. Viajar. Trazer de volta.


 
O Professor Michael Harner, autoridade mundial em xamanismo, diz que o caminho xamânico é mais bem definido como o método em que se abre uma porta para penetrar numa realidade diferente. E isso é precisamente o que acontece com a poesia eficaz e poderosa. A diferença entre compor, ler e recitar poesia “secular” e empreender as mesmas atividades no espírito do bardismo é que, neste último, o processo xamânico é conscientemente conhecido e trabalha-se com ele.
 
Criatividade e inspiração são vistas como dádivas dos deuses, como forças que entram no receptáculo do Self através da superconsciência. Preparação, ritual, visualização, prece e meditação apropriadas criam os canais pelos quais o poder criador e gerador pode fluir.
 
A pertinência desse trabalho para a cena artística contemporânea é clara: com a secularização da arte, ganhou-se liberdade de expressão, mas perdeu-se em profundidade de inspiração. Agora, completamos um círculo inteiro e podemos espiritualizar a arte outra vez, libertada finalmente das limitações do dogma religioso e capaz de transcender a obsessão de alcançar fama e reconhecimento pessoal.
 
A corrente bárdica não é simplesmente um amontoado de conhecimentos que em certa época possuímos e procuramos hoje recuperar; é uma forma de espiritualizada de consciência artística criativa, dinâmica e viva – o futuro guarda tantas ou mais promessas do que o passado.
 
 
Os bardos indubitavelmente fizeram música e dançaram: os círculos de pedra [como Stonehenge] são feitos para dançar e o atual interesse pela dança do círculo, iniciado pelo Professor Bernard Wosien, permite que nos liguemos de novo ao antigo poder da dança circular comunitária, em torno do ponto imóvel do centro. [Lembra uma citação de Jung, “Deus é uma circunferência, cujo centro está em toda parte e lugar nenhum”; e Joseph Campbell: “Deus é uma esfera inteligível, cujo centro está em toda parte”. ‘O Poder do Mito’]. 
 
Muitas tradições espirituais têm suas disciplinas específicas de movimento sagrado: existe, por exemplo, os rodopios dos dervixes, a dança sufi, Tai Chi, Paneurítmo, os movimentos de Gurdjieff e a Eurritmia de Rudolf Steiner.
 
Recentemente, três alemães descobriram um sistema de meditação druida em movimento, e existem histórias intrigantes de danças druidas ainda praticadas e relembradas no Continente. É provável que traços dessa primitiva dança sagrada e comemorativa estejam contidos na dança de Morris, de Abbot’s Bromley Horn e outras danças folclóricas.
 
 
Nosso desafio é redescobrir a música, os cânticos e as danças dos druidas, conectando as fontes arquetípicas de inspiração interior. Essas fontes são transpessoais e atemporais. Alimentaram os druidas no passado e podem nos alimentar agora. Conhecemos alguns instrumentos que eles usaram: a lira ou harpa, um tipo de corneta com som semelhante ao do “didgeridoo” australiano e, com certeza, o “bodhran” ou tambor de couro de animal e “claves” – dois pedaços de pau que se bate um contra o outro para produzir um ritmo sozinho ou contrabalancear o som do tambor.
 
A música e o teatro contemporâneos já estão recorrendo ao profundo manancial da inspiração céltica. Só para dar alguns exemplos: Clannad, Enya, Derek Bell of the Chieftains, e o Teatro Taliesin, no País de Gales, estão todos abertamente trabalhando com o espírito desse manancial.
 
Jay Ramsay, com o grupo Angels of Fire de poetas declamadores e sua coleção de poesias que recorre às fontes espirituais de inspiração encontradas nos quatro elementos, constituem outro exemplo de artistas que trabalham com a corrente chamada de “bárdica”...
 

O potencial para uma criatividade maior é imenso, quando a reincorporamos nos termos do sagrado. Anteriormente, isso incluía seres ligados aos temas e dogmas cristãos. Agora, significa reconhecer a sacralidade não só do espírito, mas de nossa Terra, dos quatro elementos e da própria criatividade e procriação.
No Grau Bárdico abrimo-nos para o que significa viver na Terra com a capacidade de ser criativo. Embora este seja o primeiro estágio de treinamento druida, seus propósitos alcançam o fundo do coração do druidismo, que é o desenvolvimento do domínio dos poderes da geração. No nível bárdico isso envolve a produção de trabalhos criativos – música, canção, poesia e arte em todas as formas.
 
No trabalho dos ovados e druidas nos relacionamos com esse poder da mesma maneira, mas nos interessamos também em gerar cura e amor, ideias e luz. O conhecimento que o bardo tem do poder da Palavra, e sua capacidade de lidar com esse poder, torna-se mágico com o druida: por entender a força criadora do som, a Palavra é usada para gerar sementes de luz que repercutem, por toda a criação.
 
A árvore que representa o grau bárdico é a bétula [Birch], sendo apropriadamente a primeira árvore do alfabeto-árvore de Ogham. Representa novos começos, pioneirismo e o ato de nascer - [a Árvore da Vida].
 
"O Oeste é o lugar do bardo. É do Oeste que entramos no círculo de nossas cerimônias, o Oeste é, portanto o local da Entrada, dos começos – o oeste feminino, [o elemento] receptivo, que se volta para o Leste - o Raio da Aurora. Os períodos associados ao grau bárdico são a primavera e a aurora – quando estamos revigorados e prontos para começar um novo ciclo de aprendizagem e experiência". [Cf. ‘Elementos da Tradição Druida’, p. 59/64. Philip Carr-Gomm (*). Ediouro].
(*) Philip Carr-Gomm é chefe da Ordem dos Bardos, Ovados e Druidas. Iniciado em psicossíntese e psicoterapia de adultos, trabalha com terapia e educação de crianças pelo método montessoriano. Seu livro ensina que “podemos reencontrar o paraíso que perdemos ao negligenciarmos a harmonia com a natureza. Ao contrário do que muita gente pensa, a tradição druida está viva e pode contribuir mais para a sobrevivência do nosso planeta do que a militância dos mais dedicados e sinceros ecologistas baseados apenas na razão”.
 
 Luz, Amor e Paz! (Campos de Raphael).