sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O ANJO da GUARDA de ANNABEL.

“Anjos existem – como fica claro nestes relatos comoventes e verdadeiros, de pessoas comuns cujas vidas foram tocadas, salvas ou alteradas para sempre pelo extraordinário... ('Anjos Entre Nós’).
V. tem um Anjo Guardião!






O ANJO DA GUARDA DE ANNABEL - (‘Anjos Entre Nós’).



Annabel Overstreet tinha todo o ar de uma empresária; e o discurso que ia pronunciar era como ser bem-sucedida no mundo dos negócios e também como esposa e mãe. Mas estariam sabendo que possuía e gerenciava uma butique altamente popular, era casada com um vice-presidente de banco e mãe de uma filha de três anos...
Uma voz de criança soou no corredor. E a menina entrou correndo, o cabelo em rabo-de-cavalo, da mesma cor do cabelo da mãe. Annabel estendeu os braços, e a menina ergueu os seus para que a mãe a levantasse.

- Mamãe... Posso ir ao parque hoje com Gail? Quero dar comida aos pombos.
- Annabel deu um abraço apertado na filha e colocou-a no chão. – Pensei que hoje você e Gail iam à biblioteca.

- A gente pode ir mais tarde. Podemos ir ao parque? Gail falou que talvez a gente veja o anjo hoje...
Annabel franziu as sobrancelhas. Teria que falar novamente com Gail. Era uma excelente babá, mas precisava aprender a não encher a cabeça de Shannon com histórias fantasiosas.Contos de fadas e poesias para crianças, tudo bem.Shannon gostava de ouvir sobre toda espécie de criaturas fictícias. Mas Gail falava de anjos como se eles existissem. E Shannon acreditava tudo o que Gail dizia a respeito de anjos.

- Vou falar com Gail – disse Annabel. – Vá brincar no seu quarto. Eu e Gail resolveremos isso.

- Tá bem. Beijo. Ergueu-se na ponta dos pés, e Annabel inclinou-se para ela, recebendo um beijo no rosto e dando-lhe outro. Em seguida a menina saiu do quarto.

Annabel franziu mais uma vez as sobrancelhas; teria de ser firme com Gail; tentara explicar-lhe que contar a Shannon histórias de livros era diferente de dizer que os anjos existem. O problema era que Gail acreditava realmente em anjos. Acreditava ter o seu próprio anjo, um anjo feminino que até tinha nome – April.

Gail viu April pela primeira vez na noite que a mãe morrera. Na ocasião, Gail trabalhava como babá na casa de outra família, a quase 500 quilômetros distante da mãe. Naquela noite, Gail acordara e vira April de pé, ao lado da cama. April lhe disse que sua mãe havia falecido, mas Gail não devia se preocupar. A mãe estava feliz e queria que Gail soubesse que amava a filha e tornaria a vê-la algum dia.
Gail ficou assustada, mas April logo desapareceu no ar. E de repente não sentia mais medo, e havia nela agora a profunda sensação de paz. Na segunda vez, vira April no parque de Bushingland. Gail chegara há pouco na cidade, e ia por uma das aleias do parque quando viu uma mulher sentada num banco. Ao aproximar-se, reconheceu April. E esta lhe disse apenas: - Não vá por essa aléia. Siga pela outra...

Alguma coisa impediu que Gail fizesse perguntas, e ela se voltou para seguir pela outra aleia. Logo em seguida ouviu uma voz abafada vinda do meio do mato. Gail atravessou cautelosamente as moitas e encontrou uma senhora idosa, deitada ao lado de sua bengala, sob um carvalho.
- Não consigo me levantar – disse a mulher. Gail segurou-a pelo braço e a mulher fez força para se erguer. – Se pudesse me levantar, eu poderia andar.

- O que a senhora estava fazendo tão longe da aléia? - perguntou Gail.
- Vi um pássaro descer daquela árvore; parecia ferido. E quis verificar. Estava no chão. - A mulher abanou a cabeça. - Pensei que estava ferido. Mas quando fui pegá-lo, ele levantou voo e quase bateu no meu rosto. Foi quando eu caí.

Gail foi com ela até o passeio. –Acha que está bem agora?

- Estou sim. Obrigada. Não sei o que eu teria feito se você não tivesse vindo...
Annabel não acreditava em anjos; achava que Gail apenas sonhara na primeira história. Da segunda vez, bem... Podia ter visto alguma pessoa no parque parecida com April. Por que motivo o anjo enviara Gail para ajudar, em vez de ir pessoalmente? Annabel não sabia dizer, mas havia uma porção de pessoas estranhas na cidade, e quem dissesse que Gail era estranha. Na verdade, depois que surgira aquele negócio de anjo, Annabel conversara com o marido Fred sobre Gail, se ela servia ou não para ser babá de Shannon.

Mas, Gail era altamente recomendada pelas três famílias para as quais trabalhara em outras cidades; não era fácil encontrar boas babás e Shannon gostava dela. E as crenças de Gail acerca de anjos não eram da sua conta. Outras pessoas também acreditavam em anjos. Annabel, porém insistiu para que Gail parasse de falar em anjos na frente de Shannon. E aparentemente lhe obedecera, até aquele dia...
- Que história é essa de levar Shannon ao parque hoje? – perguntou Annabel. - Gail estava na cozinha, guardando a louça no armário.

- Eu ia falar com a senhora.
- Shannon disse que você mencionou um anjo. Você sabe o que acho dessas conversas. Shannon é muito impressionável.

- Sim senhora. Desculpe. Foi por descuido.
- Pare de me chamar de senhora, Gail. Meu nome é Annabel.

- Sim... Annabel.
- Annabel sorriu. – É claro que vocês podem ir ao parque. Mas quero que ela vá também à biblioteca...
 

 

Ao ir de carro para o centro da cidade, entrou no estacionamento da loja, a Gloria Annabel, Ltd. Sempre gostava de contemplar o que os sonhos e o trabalho duro haviam criado naquela esquina de rua...
- Gloria, desculpe ter-me atrasado. Estive ensaiando o discurso que vou fazer no clube feminino. Depois Gail e eu tivemos outra discussão sobre anjos.

- Ela continua trabalhando direitinho?
-Perfeitamente. Às vezes, parece um presente dos céus.

– Vai ver que é. - Glória sorriu. - Pois não é verdade que tem o seu próprio anjo?
- Sei. Parece estranho, mas ela acredita honestamente ter visto duas vezes um anjo verdadeiro que fala com ela.

- Eu bem queria que os anjos realmente existissem – disse Glória. – Não acha que seria ótimo se a gente soubesse que tem um anjo da guarda?
- O mistério continua sendo o fato de que certas pessoas os vêem e outras não.

- Talvez seja tudo uma questão de fé– comentou Glória. Talvez as pessoas não os vejam porque simplesmente não acreditam que eles existam. Mas pense nisso com interesse. Talvez você pessoalmente não precise de um anjo. Talvez nem precise ter tanta fé.
- Como assim?

- Gail acredita ter visto um anjo, e que eles existem. Se ela acredita bastante nisso, talvez a fé que ela tem possa induzir o anjo dela, ou outro anjo, a velar por você e por Shannon.
- Bem – disse Annabel -, é um pensamento interessante. E aqui vai outro. É melhor começarmos a trabalhar...

No sábado, Shannon não cabia em si de contente no trajeto de carro para Richland Mall; não sabia como era um parque de diversões, mas sentia estar indo com a mãe para um lugar interessante. Annabel estava feliz por tirar aqueles momentos com a filha; fazia anos que não ia a um parque de diversões.
Quando chegaram, a impressão era de que o estacionamento estava cheio de carros e tendas. Felizmente o shopping center construíra outra instalação na ala norte, destinada ao estacionamento. Se não fosse isso, teriam que disputar espaços limitados para estacionar nas ruas da vizinhança. Annabel levou o carro rampa acima, andar após andar à procura de espaço. Finalmente chegou ao último andar, onde encontrou um lugar a céu aberto, perto da rampa de saída.

Espero que valha à pena esse trabalho todo, pensou ela, enquanto desatava o cinto de segurança de Shannon. Mas, depois ao vê-la saltitar de contentamento, compreendeu que valera a pena. Pegaram o elevador e desceram.
Os dois bilhetes de brinde de Edna’s Notions foram usados para o carrossel e a montanha russa. Mas naturalmente foram insuficientes para Shannon, e Annabel comprou mais bilhetes e passou a procurar brinquedos que não fossem para gente grande. Shannon gostou de andar de pônei; ver as pessoas atirando círculos de madeira contra bonecas e arremessar bolas contra garrafas de madeira, que imitavam litros de leite.

O algodão-doce era novidade para Shannon, e quis também uma casquinha de sorvete. Terminaram na roda-gigante. E Shannon, tomou relutante a mão de Annabel quando chegou a hora de voltarem à rampa do estacionamento. O elevador levou-as ao último andar. O número de autos agora era menor; alguns se retiravam e outros aqueciam o motor...
 
Annabel olhou para todos os lados e levou Shannon para o carro. - Fique perto de mim – disse ela, enquanto abria a porta do veículo do lado em que estava Shannon, que era o lado da rampa de saída.

E estava se inclinando para arrumar o cinto de segurança de Shannon quando ouviu um barulho. Um ruído de motor acelerado estava se aproximando. Pneus cantaram e um automóvel fez a curva para descer a rampa. Annabel olhou para trás e ficou horrorizada. O carro vinha exatamente na direção delas. Sem pensar agarrou Shannon, pois o vulto do carro vermelho que se aproximava a toda velocidade parecia a imagem da morte.
Antes de ouvir a colisão, porém sentiu alguma coisa firme e forte sob os braços. Em seguida, viu-se de pé segurando Shannon, a cinco metros dali e do outro lado de seu carro. Um adolescente estava caído imóvel, sobre o volante do carro vermelho. Várias pessoas acorreram ao local do acidente.

- Você está bem? – indagou uma voz.
Annabel olhou atrás de si e viu um homem de setenta e poucos anos de idade.

- Acho que sim – disse ela.
A voz do homem tremia. – Vi como aconteceu. Ele vinha diretamente para cima de vocês. Não sei como conseguiu agir tão depressa. Eu não teria conseguido me mover tão depressa, nem mesmo quando jovem. Minha vista já não é tão boa e, com um riso nervoso: – A minha mulher riria de mim se eu lhe contasse o que penso ter visto.

- E o que o senhor viu?
- Uma tolice – disse ele engolindo em seco. - Pensei... ter visto você voar por cima do seu carro; não poderia ter visto isso, é claro. De modo que sei que não vi você voar. Só não entendo como chegou tão depressa ao outro lado do carro...

Annabel deixou-o ali e foi para onde estavam os dois carros. Dois homens tentavam cuidadosamente ajudar o motorista, que estava consciente e segurava a cabeça.
- A sorte é que ele estava como cinto amarrado. – disse um. Annabel viu que o rapaz não podia ter mais de 16 anos.

- A cabeça está doendo – balbuciou ele, deixando claro que estara bebendo.
Um dos homens se virou para ela. – A senhora está bem?

- Estou.
- Vou telefonar para a polícia. – Voltou-se e tornou a olhá-la. – A senhora teve sorte. Ele vinha disparado em sua direção.

Annabel encostou-se a um carro que estava ao lado.
- O que aconteceu, mamãe? – perguntou Shannon.

- Você não iria entender, Shannon. – Na cabeça de Annabel havia uma lembrança, uma lembrança fugaz de duas mãos sob os seus ombros, erguendo-a no ar e colocando-a suavemente no chão, a cinco metros de distância. – “Eu mesma não compreendo”... – completou. [Ω]. [Cf. ‘Anjos Entre Nós’, p. 101/117. Don Fearheiley. Nova Era].

Cli  e veja tb.: 'APRIL - O Anjo Guardião Feminino de Gail'.
Luz, Amor e Paz! (Campos de Raphael).